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	<title>the waste herald</title>
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	<description>ante o direito da crítica, o dever da superação</description>
	<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 06:49:12 +0000</pubDate>
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		<title>NVLLA PHILOSOPHICA (drop)</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 06:44:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>t. h. abrahão</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[irrisorium]]></category>

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		<description><![CDATA[  &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;verdade/falsidade
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			<content:encoded><![CDATA[<p> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>verdade/falsidade</strong><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Verdade significa, sem meias palavras, o que é verdadeiro. Esta denominação implica a separação entre realidade e ficção, real e de imaginário, questões que, como é sabido, são centrais para a antropologia cultural, para a filosofia e sobretudo para a validade da história do Pinóquio. Já a falsidade (também conhecida como mentira, lorota, embuste ou ardil) é um conhecimento, ideia ou conjectura que apresenta discrepância para com a ilusão daquilo que se denomina real (“Paulo Coelho é um escritor genial” é uma falsidade se Paulo Coelho não for um escritor genial ou se o autor da frase em questão desconhecer o que seja bom senso). Várias teorias sobre o que é a verdade continuam sendo discutidas; diferenciam-se, porém, pelas respostas que dão a perguntas como <em>o que constitui a verdade?</em>, <em>como definir e identificar a verdade?</em>, <em>quais os papéis que nos revela o jogo do conhecimento?</em>, <em>até que ponto posso desvirtuar a verdade para conquistar minha própria derrocada?</em>, <em>a verdade é subjetiva, relativa, objetiva, absoluta ou, afinal, o quê?</em> Para a lógica, a falsidade é um dos mais valorizados valores que uma formulação pode receber dentro de um sistema lógico bivalente e cretino, oposto à verdade — que é um resultado dito lógico (verdadeiro ou falso) de uma operação mental razoável que depende de duas categorias de juízos, quais sejam, os juízos <em>a priori</em> e os juízos <em>a posteriori</em>. Estes dependem do resultado final de um experimento científico, que deve ser realizado <em>ad nauseam</em> (ou, dito de modo menos petulante, inúmeras vezes) para que exista a constatação de que um fenômeno, sobre determinadas condições confusas, produz somente um único tipo de resultado que pode ser verdadeiro ou, mais certamente, falso; aqueles são conhecidos pela mente antes que se realize a experiência (por exemplo, Jean-Paul Sartre tinha dentes podres; a linha reta é a distância menos cansativa entre dois pontos; em elevadores, a culpa da flatulência recai sobre o vizinho; as belas mulheres tendem a desprezar os <em>nerds</em>). A verdade e a falsidade, como se nota, são propriedades íntimas das afirmações ou das proposições, mas não dos argumentos, conceitos ou quaisquer coisas extralinguísticas — tais como extraterrestres e extratos bancários (estes, sempre duvidosos e com saldo negativo). Os argumentos não podem ser verdadeiros nem falsos, mas, em contrapartida, são válidos ou inválidos (ver VALIDADE/INVALIDADE); os conceitos não podem ser verdadeiros, tampouco falsos, mas têm extensão ou não (por exemplo, o conceito “cristão coerente” não tem extensão porque não existem cristãos coerentes); por fim, as coisas extralinguísticas não podem ser verdadeiras nem falsas (exceto metaforicamente, no campo de treino dos poetas bêbados), mas são reais ou não (por exemplo: um mictório ou uma obra de arte não podem ser verdadeiros nem falsos, ainda que possam coexistir [<em>cf.</em> Duchamp], mas existem [o que se pode comprovar facilmente ao se beber três ou quatro cervejas]). Eis a noção basilar de verdade e falsidade: um equívoco “E” é verdadeiro se, e somente se, “E”. Há várias teorias que tentam vagamente desenvolver esta noção central de verdade, conhecidas com a alcunha de “teorias da verdade”, como coerência, displicência, correspondência, excitação etc. Para o bigode de Nietzsche a verdade é um ponto de vista, uma perspectiva vesga; o filósofo da abundante penugem facial não define nem aceita o definir da verdade, pois a boca por trás do bigode (há controvérsias sobre a existência dessa boca) afirmava não se poder alcançar uma certeza sobre isso. Assim, quem concorda sincera e ingenuamente com uma frase está alegando, queira ou não, que ela é verdadeira. A filosofia, como se nota, estuda a verdade de diversas maneiras — todas incompletas, mas sinceras: a metafísica se ocupa da natureza da verdade (“aceita um charuto? então, agora me diga de onde você surgiu”); a lógica se ocupa da preservação da verdade (não se desespere, nós a estimamos; tome, aceite mais um charuto), ainda que seja um espécime em extinção, tanto a lógica como a verdade; a epistemologia se ocupa e, muitas vezes, se desocupa com o conhecimento da verdade (“diga quem é você, por obséquio! Tome outro charuto”). O primeiro problema para os filósofos, dos muitos problemas que surgem depois, é estabelecer que tipo de coisa é verdadeiro ou falso, qual seria o portador da verdade; depois, há o problema de se elucidar o que torna verdadeiro ou falso esse tal portador da verdade. Há teorias corajosas que tratam a verdade como uma propriedade, um mimo, um <em>frisbee</em>, assim como há teorias deflacionárias, para as quais a verdade é tão-somente uma ferramenta inconveniente da nossa linguagem. Desenvolvimentos da lógica formal trazem alguma luz sobre o modo como nos ocupamos da verdade nas linguagens naturais e em linguagens formais. Há ainda a distinção entre verdades relativas à posição de um indivíduo e verdades absolutas, incontestes, enlatadas. A verdade é uma interpretação muitas vezes débil mental da realidade transmitida pelos sentidos, confirmada por outros seres humanos, débeis mentais ou não, com cérebros normais ou não e despidos de preconceitos ou não (o que é utópico, mas possível em teoria), e confirmada por equações matemáticas abstrusas e operações linguísticas imprecisas formando um esboço expressionista capaz de prever acontecimentos futuros perante as mesmas coordenadas falhas. A verdade tem, como qualquer estigma filosófico, várias teorias que se batem e rebatem em busca da consagração; neste caso, um óbvio exemplo de arrogância, os filósofos constroem suas teorias de verdade simplesmente porque querem que elas sejam <em>verdadeiras</em>. É nesse campo de guerra entre vaidades que encontramos as principais teorias da verdade, etiquetadas e prontas para serem usadas como instrumentos do poder e do discurso (que, no fundo, é o poder em palavras), usados para exprimir um desacordo, acentuar insatisfações ou formar certos tipos de generalizações sobre o que é mentira e sobre o que são todas as outras teorias acerca da verdade. Assim, há teorias a afirmarem que as crenças e afirmações verdadeiras correspondem ao estado real de todo e qualquer assunto; seria, pois, seu caráter natural. Este tipo de perspectiva, inconveniente por tratar todos os fatos como verdadeiros em si mesmos, pronto para encontrar um indivíduo que os desvirtue em mentira, tenta traçar uma relação entre os pensamentos ou afirmações e as coisas ou objetos; trata-se de um modelo tradicional e obsoleto, digno de filósofo como os gregos Sócrates, Platão e Aristóteles, conhecidos como a tríade dos pedófilos barbados. Esta teoria considera que a verdade ou a falsidade de uma dada representação é determinada, em princípio, pela relação existente com a realidade objetiva (ver REALIDADE), por ser exatamente aquilo que a descreve, ou seja, algo é verdadeiro porque se conecta com a realidade, e se exige essa conexão ridícula deve ser verdadeiro (ao menos como chiste); por exemplo, há uma distância real entre o planeta Terra e a Lua e, por isso, torna-se verdadeira a distância pelo fato de que precisamos de combustível, máquina e meia dúzia de gênios para simplesmente poderem cravar uma bandeira em sua superfície. Por esse pensamento, conhecido como “teoria da correspondência”, a verdade é simplesmente uma cópia óbvia da realidade objetiva, rápida e facilmente representada pelo pensamento, por palavras e outros símbolos, e ainda mais rápida e facilmente ridicularizável por ser descaradamente irrelevantes. Os teóricos modernos afirmam, no entanto, que esta representação ideal não pode ser realizada independentemente de algum resquício de sarcasmo e outros fatores adicionais que servem mais para mascarar a ideia, dando-lhe caráter de algo complexo, do que enriquecê-la. Podemos notar, assim, que cada idioma tem palavras que não são facilmente traduzíveis para outro, desse modo fazendo com que os tradutores profissionais sejam, irremediavelmente, sísifos bilíngues a exercerem um ofício que não conhece o mais límpido e cristalino êxito. A palavra alemã <em>Himmiherrgotzaggramentzefixallelujamilestamarschscheissglumpfaregtz</em> é um exemplo: aquele que diz ou entende a língua alemã pode saber o que significa, mas qualquer tradução da palavra não consegue capturar com exatidão sua significação plena e sua carga poética; a própria língua acaba por acrescentar, então, um paradigma à construção de um predicado de verdade exato. É claro que, ao tratarmos da verdade, devemos analisar todo o arcabouço de influências que rodeiam o termo, sejam elas as lutas interpessoais pelo poder, as interações entre comunidades, os vieses pessoais e outros fatores que implicam na decisão daquilo que deve ser entendido como verdade, de modo que a maioria dos indivíduos acaba por conviver com verdades industrializadas, enlatadas e com conservantes que garantam não apenas a manutenção de uma ilusão patética de realidade, mas sobretudo a sensação de que todos são originais e livres para acreditar em uma verdade que acreditam piamente ser fruto de suas conquistas intelectuais. No âmbito das teorias sobre a verdade, as denominadas “teorias da coerência” têm como <em>verdadeiro</em> que a verdade necessita de elementos internos, próprios, íntimos, dolorosamente entranhados, antes que possa, então, fazer parte de um sistema maior; a coerência, entretanto, é tomada para dispor de algo mais do que coerência lógica; muitas vezes há a exigência de que as proposições oportunistas em um sistema dito coerente emprestam seu apoio instável às verdades. Desse modo, as imperfeições esmeradas que abrangem o jogo subjacente dos conceitos é um fator crítico e cretinizado no julgamento da validade e da utilidade de um sistema coerente. Já a “teoria construtivista”, representada pelo construtivismo social, considera que a verdade é construída, rechaçada, desentendida, carcomida e devidamente ignorada pelos processos sociais, sendo histórica e culturalmente específica em sua desvirtuação, e que é em parte formada pelas lutas mesquinhas de poder dentro de uma comunidade ou, mais precisamente, de uma savana humana. O construtivismo examina, pois, todo o conhecimento supostamente <em>humano</em> como “construído”, haja vista que ele não reflete nenhuma realidade transcendente, externa e burlesca. Assim, o melhor modo de percepção da verdade baseia-se em seu exame como contingente convencionado, a partir da falha percepção humana e da atoleimada experiência social dos indivíduos. Creem os construtivistas que as representações da realidade, física e biológica, incluindo-se sexualidade, paga ou conquistada, e todas as intenções instintivas ou intelectuais, desprovidas ou não de senso, são socialmente construídas — o que explica, evidentemente, o porquê dos simpósios de filosofia serem tão ricos e produtivos quando se trata das verdades, nesse caso, irrisórias. Seguidores desse pensamento, Giambattista Vico, Hegel e Marx eram desse tipo de diletantes da totalidade. Por sua vez, a “teoria do consenso” considera que a verdade é aquilo que é acordado, ainda que seus pensadores estejam, em verdade, dormindo, ou em alguns ramos dessa teoria, aquilo que poderia vir a ser combinado por algum grupo específico e intenção maliciosa. Tal grupo poderia incluir todas as hienas humanas, ou um subconjunto composto de mais de uma besta, para que não se sinta tão solitária. Entre os defensores atuais da teoria do consenso como pensamento útil acerca do conceito da verdade é o filósofo Jürgen Habermas, que se mantém convicto de que a verdade é aquilo que seria combinado em uma situação de discurso ideal, a fim de se garantir, talvez, uma mais eficiente lavagem cerebral. Temos, também, a “teoria pragmática” e suas três formas mais influentes de entendimento da verdade, aborrecidamente introduzida por volta do século XX por Charles S. Peirce, William James e John Dewey. Embora existam grandes diferenças entre o ponto de vista desses e de outros seguidores da teoria pragmática, há em comum a ideia de que a verdade é verificada e confirmada pelos resultados que surgem ao se colocar à prova os conceitos de alguém — o que, de fato, acaba por ser uma ótima oportunidade para se chegar à conclusão de que existem pouquíssimos indivíduos que pensam por si. Peirce define a verdade como a concordância de uma afirmação abstrata dentro de um limite ideal, em direção ao qual a investigação filosófica tenderia a confirmá-la como crença científica, ou seja: se o que você diz é sensato, prove; se provou, é verdade; se não provou, você é um imbecil; se o que disse não é sensato, vá perturbar outro. Para William James, verdadeira seria tão-somente a natureza de nosso modo de pensar, assim como “o direito” é apenas o modelo natural de nosso modo de comportar-se; mas, infelizmente, James esqueceu-se de levar em consideração que estava tratando dos seres humanos. Certo número de filósofos mal-humorados, seguidores das “teorias minimalistas ou deflacionárias” acerca da verdade, rejeitam a tese de que o conceito ou denominação da verdade refere-se a uma propriedade das orações ou proposições (entendendo-se, aqui, “orações” no campo gramatical, não no teológico fajuto). Desse ponto de vista, afirmar que a proposição “1 + 2 = 3” é verdadeira é logicamente equivalente à afirmação da proposição “1 + 1 = 2”, e a sentença “é verdadeira” torna-se, assim, completamente dispensável neste e noutros contextos. Não é de se admirar, tendo-se em vista a profundidade dessa teoria, que seus eminentes filósofos não sejam citados por seus opositores, haja vista que a melhor forma de se combater o óbvio é ignorar seus resmungos comezinhos. Todavia, deve-se notar certa importância desses pensadores, pois sem tal linha de raciocínio seria um pouco mais difícil notar até que ponto pode alcançar a asneira humana, bem como seria mais complicado despir a palavra verdade de seu arrogante traje de gala para as festas <em>junkies</em> da consciência. Além do destaque dado a tais aspectos formais do predicado “é verdadeiro”, alguns deflacionistas indicam que o conceito nos permite exprimir coisas que poderiam necessitar de outras orações infinitamente longas e tediosas. Por exemplo, um indivíduo I pode exprimir um juízo diante da sentença “a verdade é uma prostituta”, se a verdade for uma prostituta, ou “a verdade é uma rameira”, se a verdade for uma rameira e nos simpatizarmos com Diderot, ou “a verdade é uma mulher da vida”, caso a verdade for uma mulher da vida&#8230; Para os deflacionistas, pode-se arrematar simples e sucintamente a ladainha com a seguinte sentença: “o que I diz é verdadeiro, seja o que for, e ponto final”. Por sua vez, as “teorias formais”, pedantes como são, entendem de nariz empinado que uma “verdade lógica” (também conhecida por “verdade analítica” ou “verdade necessária” [há controvérsias]) é uma afirmação que é verdadeira em todos os mundos imundos possíveis, com ou sem erros humanos, com ou sem vaidades à prova, ou sob todas as interpretações possíveis. As verdades lógicas contrastam, pois, com as verdades sintéticas (ou “fatos”), que são verdadeiras apenas neste mundo, para a sorte dos extraterrestres (na hipótese de existirem), e da maneira como ele se desenvolveu historicamente. As verdades lógicas são, desse modo, necessariamente verdadeiras, doa a quem doer; uma proposição como “se ‘pastel de rodoviária’, então ‘diarréia’” é considerada uma verdade lógica porque ela é verdadeira em virtude de sua significação imunda, e não apenas devido a qualquer fato do mundo. A lógica ocupa-se, assim, com os modelos da razão que podem ajudar a nos dizer se uma proposição é verdadeira ou não, indevida ou não, lastimável ou não. Contudo, a lógica não trata da verdade no sentido absoluto do termo, pois, como se sabe, este é o ofício arrogante e cômico dos metafísicos, homens que tateiam em um quarto escuro a procurarem um interruptor que não existe. Ainda em se tratando de teorias da verdade, a “teoria semântica da verdade” tem como caso geral o que se segue: “X” é verdadeiro se e somente se X, referindo-se “X” a uma referência à própria oração e X a própria oração, tal como “Schopenhauer não tinha amigos”. A partir de tal teoria, nenhuma língua pode conter o seu próprio predicado de verdade, isto é, a expressão é considerada verdadeira somente se se puder aplicá-la em alguma outra língua (de preferência o alemão, caso o objetivo seja impressionar um debatedor pedante, pagando-lhe com a mesma moeda). A razão dessa restrição corrobora-se pelo fato de que as línguas já contêm seus próprios predicados de verdade — e, ainda mais, seus predicados de mentira —, fato comprovado pelo famoso Paradoxo do Mentiroso: “Esta oração pode rezar”. Acerca dos vários e indecisos tipos de verdade (pois, sim, o número de tipos é inversamente proporcional à importância que se dá à verdade), temos o “subjetivismo metafísico”, a considerar que a verdade ou a falsidade de todas as proposições dependem, ao menos em parte e a depender do humor, daquilo em que acreditamos, ainda que seja a ideia mais obtusa que possa existir. Ao contrário, o objetivismo metafísico considera que as verdades são independentes de nossas crenças, o que é animador para as verdades, que se libertam de nossos equívocos e, de algum modo, animador para nós, por não precisamos nos arrepender depois; obviamente, faz-se exceção às proposições que dizem respeito às nossas próprias crenças ou sensações, haja vista que nossos pensamentos, estas vaidades subjetivas, independem de terem ou não nexo: o problema é somente nosso. Já as verdades relativas são afirmações ou proposições que são verdadeiras apenas se se levar em conta algum padrão pré-determinado, convenção ou ponto de vista arraigado em certa cultura. Muitos, todavia, aceitam que a verdade ou a falsidade de algumas afirmações são relativas: afirmar que, na fila do banco ou do supermercado, quem está em nossa frente é um imbecil depende da posição em que ambos se encontrarem, bem como do objetivo a que se propõe a pessoa. O relativismo, por sua vez, é a doutrina pela qual todas as verdades são verdadeiras dentro de um determinado domínio, geralmente moral ou estético; creditá-las como verdade depende da cultura, da época e da besta que a possua. Por exemplo, o relativismo moral afirma que uma proposição moral pode ser verdadeira em uma época, mas falsa na outra: antes de Charles Darwin os homens eram feitos de barro e animados com o sopro divido que lhes dava vida; pode-se notar, com isso, que a noção de verdadeiro ou falso depende, também, do nível intelectual dos indivíduos, de modo que, mesmo em uma época em que se entenda uma proposição, outrora verdadeira, falsa, é mister que existam sujeitos que saibam usar o cérebro para reconhecer equívocos. As verdades relativas, portanto, podem ser contrastadas com as verdades absolutas; estas, entendem certas proposições como “não adianta chacoalhar, pois o último pingo cai sempre na cueca” verdadeiras em qualquer lugar do universo e para todo o sempre; do mesmo modo, se A contém B e B contém C, então A contém C, ou, para dar um exemplo mais palpável, “se um indivíduo existe” e “se a existência aborrece”, então “o indivíduo inevitavelmente será um estorvo”. Tal absolutismo, em um determinado domínio do pensamento, é a visão de que todas as afirmações, do domínio são verdadeiras em todos os tempos e lugares ou falso em todos os tempos e lugares, pois não é possível que algo seja verdadeiro para algumas culturas ou épocas enquanto seja falso para outras culturas ou épocas (é o que podemos notar com a morte, haja vista que ou estamos vivos ou estamos mortos, ainda que possam existir certas múmias que, geralmente, surgem nas filas dos bancos e supermercados). Dentro da discussão sobre a conceituação da verdade, alguns expurgos, como as mitologias, existem. Um mito é uma narrativa que determinada cultura, atualmente ou no passado, acredita ser verdadeira e significante; levam em consideração, para fundamentar tais ideias sem-fundamento, o sobrenatural, aspirando explicar a natureza da realidade ou simplesmente ser uma ilustração poética, alegórica, de uma ou várias “mais altas verdades” (entre aspas porque, bem, a questão explica-se por si). As lendas e os mitos, desse modo, são basicamente feitos com verdades desvirtuadas, apresentando como resultado aspectos patéticos dessa mesma verdade que, afirmam, só pode ser aceita desse modo, ou seja, para a crença em parvoíces o indivíduo necessita ser, também, um parvo. As mitologias são, pois, uma tentativa oca de transmitir uma suposta verdade. Seguindo a mesma “lógica”, temos a verdade religiosa: a maior parte das tradições místicas têm um corpo doutrinário, mas não douto, que seus seguidores entendem como verdade, ainda que não tenham capacidade para entender absolutamente nada que não seja tais consolos metafísicos. Assim, a verdade religiosa molda-se sob o aspecto de um credo ou dogma, pautando-se em obras duvidosas, lacunosas e contraditórias tais como a Bíblia ou o Alcorão, podendo ser, também, um código não escrito compartilhado por crentes alienados (com o perdão da redundância). Diferentemente da verdade científica ou verdade observada, a verdade religiosa muitas vezes exige que seja revelada ou inspirada por um deus, o que, a bem da <em>verdade</em>, nada mais é que a necessidade de ter sua origem pautada no mesmo nonsense que lhe resume. Quando há um choque entre verdades religiosas e verdades científicas, vários métodos foram e ainda são usados para reconciliá-los, o que é o mesmo que tentar reunir, em um mesmo recipiente, graxa e água benta; durante a Idade Média, por exemplo, houve o conflito entre o dogma católico romano de um lado e o corpo emergente do conhecimento científico de outro. Por vezes a igreja estabelecida procurou suprimir a verdade científica, utilizando-se de meios pouco ortodoxos (covardes, se se quiser), como no caso de Galileu Galilei, mas às vezes permitiu que as duas verdades coexistissem, caso as verdades científicas servissem, claro, a seus propósitos. Com isso, haveria uma verdade “menor”, a verdade científica, que consideraria, ainda usando o caso de Galileu, as órbitas terrestre e do Sol, e uma verdade “maior”, a verdade religiosa, a considerar que a Terra é o centro fixo do universo (façamos, aqui, uma pausa para constatar o ridículo&#8230;). Então, segundo a doutrina das duas verdades, essas tais duas verdades seriam, ambas, verdadeiras em sua própria esfera; a igreja católica romana moderna rejeitou, todavia, a doutrina das duas verdades, e aceitou como verdadeira toda verdade científica pois, enfim, também fez uma pausa para constatar o ridículo. Ainda assim, o fundamentalismo cristão exige que a verdade religiosa deve ser aceita pelos cientistas, de modo que o conflito entre verdade religiosa e verdade científica continua e continuará enquanto existirem indivíduos acéfalos que persistam em suas bufonarias. A noção de falsidade, por isso, não necessita de explicação aprofundada, ao menos aqui, quando um único exemplo (ver DEUS) basta. Em se tratando das verdades científicas, estas estão no domínio da ciência, que procura aproximar-se da verdade pelo método científico, sem apelar para a metafísica dos receios e banalidades controversas. Propriamente dito, o método científico nunca comprova uma teoria, considerando-a definitivamente verdadeira com um belo ponto final no fim de suas observações. O método científico não reclama, pois, uma verdade, a menos que ela venha de fatos diretamente observáveis na natureza (ainda que David Hume tenha aversão a essa ideia); ao contrário, tal método tenta aproximar o homem da verdade ao continuamente refinar suas teorias e pensamentos, sem fugir dos erros que encontre pelo caminho. Cientificamente, um fato é uma verdade diretamente observável e, assim, reproduzível. O significado de uma verdade não é considerado fato se for baseado na observação de apenas uma pessoa, pois se apenas um indivíduo, míope, dissesse que Jean-Paul Sartre era bem-apessoado, teríamos um grande equívoco; portanto, para algo ser considerado um fato científico deve ser baseado na observação repetida por muitos cientistas diferentes. Por exemplo, o fato “quando criticamos outrem sem conhecimento de causa, passaremos por imbecil e nossa crítica será tão-somente uma verborragia incoerente” pode ser considerado científico porque é passível de ser observável, além de ser perfeitamente reproduzível (este glossário o comprova). Ver <em>ALETHEIA</em>, CONTRADIÇÃO, ERRO, JUÍZO, MITO, OPINIÃO e TESE.</p>
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