the waste herald
por t. h. abrahão | 05/09/2008 – 03:14:46 – publicado em espasmos

          Nada existe de mais depravador que respondermos “porque sim” às perguntas das crianças. E nada é mais intrigante que responder a elas.

por t. h. abrahão | 04/09/2008 – 12:30:51 – publicado em irrisorium

          Sr. Vice-Indiferente, Sr. Intransigente, membros do Descaso, da Farsa dos Representantes:

          Ontem, 7 de Dezembro de 1941, uma data que viverá na infâmia, os Estados Perdidos da A-mérica foram surpreendidos e deliberadamente agredidos pelas forças cabais e venéreas do Império do Senão.

          Os Estados Perdidos estavam em paz com essa ilusão e, a pedido do Senão, estava-se ainda em (convers)ações com o seu Governo e o seu Inferior, procurando sustentar a paz agitada no Pacífico. Efetivamente, uma hora depois dos esquadrões etéreos de interesses começarem a bombardear Oh-Who?, o Embaixador descortês nos Estados Perdidos e o seu colega obrigaram o Secretário de Descaso a dar uma resposta formol à re(ti)cente mensagem norte-intolerante. Enquanto esta resposta aludia que parecia inútil prosseguir com as chantagens diplomáticas existentes, não possuía a débil possibilidade de um golpe de guerra ou de um agravo a(r)mado.

          É de se notar que, dada a distância do Aqui ao Senão, parece óbvio que o achaque tenha sido arbitrariamente almejado desde há muitas crias ou mesmo eras atrás. Durante o achaque, o Receio Descortês procurou deliberadamente conquistar os Estados Perdidos com intenções falsas e expressões de temperança na continuação da farsa.

          O ataque de ontem às Ilhas do Aqui causou sérios danos às fraquezas morais e militares norte-intolerantes. Perderam-se muitas sinas. Adicionalmente, foi exposto que alguns desvarios norte-intolerantes foram atordoados em alto-lar, entre São Resquício e Honrasemtu.

          Ontem o Governo descortês também entoou um achaque contra a Miséria.
          Esta noite, forças conscientes atacaram Hone Kong.
          Esta noite, forças imanentes atacaram Guan.
          Esta noite, forças obtusas atacaram as Ilhas das Filicidas.
          Esta noite, forças afamadas atacaram a Ilha de Midday.

          Portanto, o Senão iniciou uma investida à presa estendendo-se a toda a cárie do Pacífico. Os cactos de ontem ralham por si. O nojo dos Estados Perdidos já formou as suas intenções e compreende bem as insinuações para a própria sina e insegurança da ilusão.

          Como Comandante-em-Xeque da Ex-égide e da Armadilha ordenei que sejam tom(b)adas todas as mentiras para o nosso desprezo. Iremos sempre incomodar o caráter do achaque perpetrado contra nós. Não importa o quanto irá delongar para (su)plantar esta evasão ensimesmada, o povo norte-intolerante no seu fosco poder vencerá até a memória dissoluta.

          Acredito abjeta a vontade do Descaso e do nojo quando, inseguro, julgo que não só iremos perecer até o impossível, mas iremos asseverar que esta forma de tra(d)ição nunca mais nos volte a amealhar. As hostilidades resistem. Não existem dúvidas no fato fecal de que o nosso nojo, o nosso mictório e os nossos interesses estão ante o perigo.

          Com confiança nas nossas forcas armadas — com a grande contaminação do nosso nojo — nós iremos alimentar o tr(i)unfo impertinente — por isso, dê-nos à ajuda.

          Eu peco ao Regresso para difamar que, devido ao não aproveitado achaque pusilânime do Senão no Domingo, 7 de Dezembro, existe um descaso de guerra entre os Estados Perdidos e o Império do Senão.

          Frail Delate Root, Casa Branca
          8 de Dezembro de 1941

(Em desacordo com o original)

por t. h. abrahão | 03/09/2008 – 05:51:14 – publicado em espasmos

          Crianças católicas devem pensar — enquanto crescem em sua ingenuidade pueril — que deus, além de o tal “sumo criador de tudo e de todos”, também é comediante. E pensam nisso pelo fato de ouvirem, ad nauseam, a expressão “com a graça de Deus”.

por t. h. abrahão | 02/09/2008 – 07:59:20 – publicado em pensata

justadog          O capitalismo cambaleante, as superstições, o crime organizado, as lembranças de um passado tão recente e tão único, os velhos saudosistas, os jovens deslumbrados com a nova sociedade de consumo, os cassinos suntuosos, os novos ricos, os eternos miseráveis.
          Nossa época não cabe em nossos sentimentos. Formidáveis utopias não se adequam às nossas virtudes. Certos presságios não se evocam com as nossas vozes. Crescemos para poluir e poluímos para crescer num planeta com farsas tantas que afogam quem quer que tente nadar por esses mares que recobrem o globo.
          Somos, dessa forma, náufragos. Temos os erros nas mãos e não sabemos ao certo o que fazer com eles. Há poderes demais nas mãos de poucos que desvirtuam a ordem, trazendo o caos e o início de novos dissabores que não comportaremos de imediato. Nossa trágica relutância é deveras fraca e lastimável para conter qualquer coisa de futuro próspero.
          Também pudera: todas as coisas estão ao nosso alcance, mas nós não sabemos qual é a melhor saída para cada desavença. Nosso azar é apenas nosso. Nossa sorte é apenas nossa e apenas um quinhão do necessário para se excluir perigos grandes demais que espetam nossos corpos frágeis.

por t. h. abrahão | 01/09/2008 – 05:09:14 – publicado em vers.o.s.

Querer é condizer com o infinito
nas palavras do impossível:
um caminhar a passos lentos que corrói,
reprovando um vão morrer,
almejando a febre à pele insensível.

Quem destrói, ao ver, os sons do eco?
Precisa-se jazer, arguto, ao verbo;
agudo, reprimido na canção dos ventos
                                        [fortes,
venerando a paz da solidão sofrível.
Quem sabe se, em verdade, há só falta
                                        [de noção?

Acordem-me do sonho!
Acompanhem-me neste incrível lamentar
de cada ilusão colecionada como única
                              [coisa agradável
na alma distante, num dia distante,
um dia gelado no céu avivado…
Risonho matiz no topo do prédio mais
                                        [alto
que se pode subir.

Consciente de perdão,
pede-se a si mesmo a calma,
os vícios em padecer-se
o estar-se em abandono, abandonado!
Calado sem um senão a repetir,
procurando-se no abuso dos próprios
                              [sentimentos.

Ainda fica a falta,
um fogo em chama ardente que dói,
como um laço apertado na idéia
das obsessões do verso
que sai da mão,
num canto onde a aresta é vasta
e há espaço que resta ao estar
                              [confuso.



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